domingo, 8 de agosto de 2010

Casa Olimpiana

À primeira vista, o Monte Olimpo lembra uma cidade clássica, greco-romana. Na realidade, nenhum dos lugares da Grécia Antiga se comparavam a este recanto dos deuses, cuja arquitetura simbolizava seu poder e perfeição.A luz solar incidindo sobre as colunas e as abóbadas de seus edifícios de mármore branco geram um brilho fascinante nos olhos de um observador. Seus jardins de oliveiras e a música, proveniente das liras e guitarras de Apolo e de sua banda, criam uma atmosfera reconfortante, melhor que qualquer espaço de lazer existente na Terra.
Quem pisa no seu solo verde e dourado logo se depara com ninfas e sátiros, além de deuses e deusas menores servindo-se de néctar e ambrosia, respectivamente, bebida e comida divinas. Caminhando-se até o seu centro, chega-se a uma praça onde ergue-se um imponente palácio dourado, tão brilhante quanto os raios de sol e decorado com as melhores obras de arte em bronze celestial: o conselho divino, local de reunião dos doze olimpianos.Lugar dos sonhos, o Olimpo não pode ser encontrado no mundo natural. Mas quando meu estado de espírito não se contenta com as paisagens ao meu redor, sou levado a imaginar terras mágicas com aventuras épicas. E, entre estas, a mais maravilhosa é a casa dos deuses olímpicos.

sábado, 7 de agosto de 2010

Por quê?

Por que te esperar todos estes dias
Se não irás me trazer novas alegrias?
Por que te amar mais esta semana
Se a minha razão não mais se engana?


Por que te esperar todos estes meses
Se me ignorastes tantas vezes?
Por que te amar mais este ano
Se minha emoção não se recuperou do dano?

Não te pedi que me amasses
Eu não queria um romance
Só te pedi que me beijasses
Eu só queria ter uma chance

A partir daí não te esqueci
De pelo menos um de seus formatos
O teu amor um dia eu mereci
Me ajude, preciso encarar os fatos

sábado, 17 de julho de 2010

Vi uma lua no céu, vi outra lua no mar

Na mitologia grega, Ártemis era a deusa não só da caça como também da Lua. Enquanto isso os sete mares eram governados pelo deus Poseidon. Não são abundantes lendas que envolvam diretamente estes dois deuses, assim como na Antiguidade uma ideia que relacionava os mares e a Lua não foi levada muito a sério. Alguns séculos depois, essa ideia foi melhor e explorada e se revelou um curioso fenômeno físico. Refiro-me às marés. Desde tempos remotos, observou-se que o nível das águas do mar no litoral variava durante o dia, apresentando um nível máximo (maré alta) e o um nível mínimo (maré baixa). Na verdade, isto também pode ser observado nos rios, ou sobre todas as massas líquidas de extensão relevante sobre a superfície do planeta. A cada dia esta variação ocorre duas vezes: uma maré baixa alterna-se com uma alta num período aproximado de seis horas.Alguns observadores da natureza perceberam que durante uma das marés altas do dia a Lua estava alta no céu (quando ela estava visível, é claro) e concluíram que ela era responsável pelo fenômeno. Parecendo absurda, foi esta a ideia a ser explorada na era moderna pela teoria da gravitação. O fato é que as marés são causadas por influências gravitacionais de outros corpos sobre a Terra, tendo a Lua maior peso neste fenômeno, mais até que o Sol. Vamos entender o porquê. O que acontece basicamente é que a força gravitacional exercida sobre determinado corpo depende de sua distância. E o diâmetro da Terra é suficientemente grande em relação à sua distância da Lua para que o efeito gravitacional seja mais forte nos pontos mais próximos ao satélite do que nos mais distantes. Enquanto que para o Sol essa diferença é menor, já que ele está muito distante, mesmo tendo uma massa bem maior que a terrestre e a lunar.

Pois é, essa diferença gravitacional não vai ter tanto efeito na parte sólida do planeta: ela irá se comportar como se toda a força fosse exercida em seu centro. Mas isso não acontece na parte líquida: as águas que estiverem voltadas para a lua serão mais atraídas que esta parte sólida, aumentando o seu nível, resultando em maré alta. As águas da face oposta do planeta acabarão "ficando por inércia", por serem menos atraídas que o restante do planeta, resultando em maré alta também. As regiões intermediárias (que formam ângulos de 90° com a Lua), ficarão então com um nível menor, resultando na maré baixa. Dessa forma, a cada movimento de rotação da Terra, teremos, em um local do planeta, duas marés altas alternadas com duas baixas.
As fases da Lua também influenciam neste efeito. Primeiramente pelo fato de o movimento lunar gerar a cada dia um atraso no "horário das marés". E também por causa do efeito gravitacional solar. Quando a Lua está alinhada com o Sol (fases Nova e Cheia), a diferença entre marés altas e baixas é máxima, devido aos dois astros "somarem" seus efeitos. Quando ela está em quadratura com o Sol (Quartos Crescente e Minguante), este passa a agir nas regiões onde a maré é baixa, de forma que a diferença entre as marés é mínima.

Não se pode esquecer também, da variação anual das marés. Quando a Terra está mais próxima do Sol, o efeito deste nas marés é intensificado, de forma que a influência das fases da Lua passa a ser maior. Assim, numa determinada época do ano e fase da Lua, teremos as marés mais altas possíveis.

É isso, tava adiando há muito tempo esses meus dois posts de astronomia, explicando as estações e as marés, espero que os leitores gostem e entendam as referências mitológicas dos títulos. Ψ

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A trilha de Apolo

"Às vezes parece que nossa vida é um verão
Somos felizes como os raios de Sol que tocam o chão
Mas se o solstício é o auge, a descida é o outono
O calor da vida nos abandona, nossa mente está com sono
O frio do inverno só nos deixa uma pequena chama
Tristes, solitários, gelados, pensamos: um dia ela inflama
Uma explosão de fogo anuncia a primavera
Se para a Terra foi um ano, para a vida é uma nova era"

Primavera, verão, outono e inverno. São famosas as quatro estações do ano. Para habitantes do Equador, como eu próprio, elas não fazem muito sentido no cotidiano, mas são essenciais no entendimento de conceitos que vão da Astronomia à Geografia.

O que devemos entender, primeiramente, é que o Sol realiza um caminho em nossos céus não somente ao longo do dia mas também no decorrer do ano. Em certas épocas do ano, o Sol está mais ao Norte e em outras mais ao Sul. Daí é fácil concluir que há meses nos quais um hemisfério está mais iluminado (sendo verão neste) e o outro menos (sendo neste inverno). E há outros nos quais haverá um maior equilíbrio (sendo primavera ou outono).

Analisemos, contudo, de forma mais profunda. O Sol não faz, literalmente, caminho nenhum, pois é Terra que gira em torno deste. A chave de tudo está no fato de o plano da rotação terrestre ser inclinado em relação ao seu plano de sua órbita em torno do Sol. Essa inclinação tem um valor próximo de 23°, utilizado para deteminar os trópicos e os círculos polares. Dessa forma, durante o ano, os raios solares vão incidir em diferentes ângulos na superfície da Terra.Teremos a cada ano, quatro momentos especiais: dois solsticios e dois equinócios. Um solstício é quando o equador recebe os raios com inclinação máxima (23º na vertical). Neste momento, os raios irão incidir verticalmente nos trópicos, que ficam a 23° do equador. Se for no de Câncer, no hemisfério norte, será verão neste hemisfério, pois a luz solar vai atingi-lo por mais tempo (dias mais longos), enquanto no hemisfério sul o Sol ficará menos tempo no céu, caracterizando inverno. No trópico de Capricórnio, estando no hemisfério sul, a situção será invertida. Para um hemisfério, um solstício de verão irá se alternar com um de inverno a cada seis. E é entre os solstícios que teremos os equinócios. Temos um equinócio quando o raios solares incidirem verticalmente no equador, de forma a iluminar igualmente os dois hemisférios, marcando primavera e outono. Após o solstício de verão e antes do de inverno, o equinócio será de outono, e na situação inversa será de primavera. Se no hemisfério norte for primavera, no sul é outono e vice-versa.Claro que para melhor entendimento dos meus leitores acrescentei algumas imagens para serem vistas acompanhando a leitura. E aqui abaixo vão as datas dos solstícios e equinócios de 2010 no hemisfério Sul, a título de curiosidade:

Equinócio de outono - 20 de março
Solstício de inverno - 21 de junho
Equinócio de primavera - 23 de setembro
Solstício de verão - 21 de dezembro

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Universo Metafórico

Deuses são metáforas cujos filhos são heróis de verdade
A minha metáfora é ser um herói
Heroísmo feito de ciência e bondade
Que num mundo novo se constrói


Como panteísta, não acredito em um Deus pessoal
Do micro ao macro, dos átomos às nebulosas
Do céu à terra, dos musgos às rosas
Tem em tudo isso, algo de normal?


Tão estranho já é o Universo em que acredito
Não é preciso ser um erudito
Para saber, ao ver toda a beleza
Divina é, por si só, a natureza