sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Viagens de Sonhador

Fui à ilha dos amores
Lá aprendi uma canção
Sobre terras sem senhores
Com gente de puro coração

Conheci a mais bela amante

E a flecha que por Dafne fez sofrer Apolo
Atingiu-me por mais de um instante
O amor fez-me voar, arrancou-me do solo

À noite, contemplei o luar

Vi nas estrelas esferas flamejantes
Finalmente pus-me a sonhar
Dormindo, era o mais sortudo dos viajantes

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Estreitas janelas para um jardim gigantesco

Através da luz que nossos olhos captam, podemos formar uma imagem do mundo visível, conhecendo a cor e o brilho dos objetos. Muitas vezes não nos damos conta, porém, que esta imagem está muito mais relacionada ao nosso cérebro do que à realidade propriamente dita.

Em primeiro lugar, nosso sistema nervoso desenvolveu mecanismos para corrigir as imprecisões de nosso sistema visual. A imagem captada por cada um dos olhos, por exemplo, é invertida, bidimensional e com um ponto cego. É o cérebro o responsável por formar uma imagem direita, completa e 3D. Quando existe algo que os olhos não conseguem discernir de forma perfeita, o córtex cerebral dá um jeito de preencher o vácuo. Aí está a explicação para a maioria das ilusões de óptica.

Existe, porém, outro ponto, talvez mais relevante: só somos capazes de enxergar uma pequena porção da luz existente na natureza. Isto porque a luz consiste numa onda eletromagnética, e, portanto, possui frequência. Os diferentes valores de frequência das ondas eletromagnéticas formam o espectro eletromagnético, sendo a pequena a faixa de valores para a luz visível, os quais determinam sua cor. Em ordem crescente de frequência, temos: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. São as sete cores discerníveis em um arco-íris ou na refração de um prisma, originadas da decomposição da luz branca.

Sendo a maior parte do espectro eletromagnético invisível, o que vemos é uma imagem muito limitada da realidade. O biólogo britânico Richard Dawkins chama isso de “a maior de todas as burcas”, de extensão quilométrica e uma fenda ínfima para os olhos. Segundo ele, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia tem sido fundamental para alargar essa fenda, nos permitindo captar radiações fora da faixa visível. Um exemplo são os radiotelescópios, os quais nos permitem “enxergar” através de nuvens de gás interestelar. Os telescópios, porém, talvez sejam assuntos de outra postagem...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Riqueza Celeste dos Cinco Sentidos

Abro os olhos, mas não vejo sua face
Dentro de meu peito o sentimento por você renasce
Você está em tudo que penso
Você me deixa completamente tenso.

Estou perto, posso sentir seu perfume de rosas
Meu coração está impregnado dessas flores venenosas
Quero me aproximar, tocar sua pele suave
Preciso lhe abraçar, envolver-me em seu corpo sem entrave.
Você me priva dos cinco sentidos
Você é um sonho jamais vivido.

A sua voz ressoa em mim tão mágica
Parece a alegre melodia de uma história trágica
Visão, olfato, tato e audição podem não importar
Porque em você falta-me usar o paladar
E só terei realizado meu desejo
Quando souber o gosto do seu beijo.

Menina Poderosa

Náiade que seduz os nadadores,
Bela dríade dos bosques amazônicos,
Só tu és digna dos meus amores,
Sábia deusa dos templos jônicos.

A cor dos teus olhos me ilumina
E nessa luz ficas mais formosa.
Nem imaginas o quanto me dominas
Com esse teu jeito de menina poderosa.

Queria que aceitasses o meu amor,
Poder estar perto para te dar meu calor
Não mereço continuar sentindo esta dor.

No silêncio só escuto tua voz
Mesmo com a enorme distância entre nós
Pois em pensamento estamos a sós.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Agulha Escalarte

Se em uma noite qualquer dessas, a atmosfera estiver sendo amigável e a luz das estrelas não estiver sendo bloqueada por massas de ar não tão amigáveis, procure olhar o céu em busca de algum desenho característico perto do Equador. Dependendo do horário do dia e da época do ano, você, com um pouco de atenção, conseguirá enxergar um desses dois desenhos: ou um trio de estrelas bem juntinhas (as famosas três marias) cercadas por um quadrilátero, ou uma espécie de gancho com uma estrela bem brilhante e vermelha numa das "pontas". O primeiro faz parte da constelação de Órion, um guerreiro mitológico, e o segundo, bem mais distinto, compõe a constelação de Escorpião.Essas duas constelações, aliás, têm uma história em comum na mitologia grega. Órion era um caçador muito hábil e seus talentos ameaçavam a autoridade de Ártemis, a deusa da caça. Esta, temendo que o guerreiro esgotasse as caças, mandou um escorpião para matá-lo, o qual o atingiu com seu poderoso ferrão venenoso. Esta perseguição foi representada no céu, e é por isso que quando escorpião nasce no horizonte, Órion se põe e vice-versa.
Muitos outros mitos estiveram associados à constelação de Escorpião durante a Antiguidade, a maioria relacionando a maus agouros. Isto talvez porque esta constelação está no hemisfério sul, e portanto a presença do Sol nesta marca o inverno no hemisfério norte, no qual estavam muitas das culturas antigas clássicas.

Para alguns povos do hemisfério sul, a constelação tinha um papel mais positivo, além de outras denominações. Os maoris a tomavam por um anzol responsável por "pescar" o mundo. Já os australianos e alguns sul-americanos preferiam a representação de uma ema.

A constelação de Escorpião é mais visível para nós no céu noturno durante os meses de julho e agosto. O sol entrou nesta constelação no dia 22 de novembro e permanece nesta por uma semana, até que entra em Ofiúco, a qual acabou sendo cortada pela Eclíptica, mas não aparece entre os doze signos.

Homenagem a Milo, cavaleiro de Escorpião da série Saint Seiya