segunda-feira, 14 de março de 2011

Olhos ardentes, lábios explosivos

Olhos de uma doce cor de mel
Me encaram com um brilho escarlate
Tal qual o de Aldebaran no céu
Aquecem um coração que novamente bate

Longos e delicados cabelos
Negros como a sombra da noite clara
Descem da tua face até seios belos
E suavemente reconfortam-me, quando o teu abraço me ampara

Chega o momento, minha hora de partir
Toco meus lábios em teu rosto, em tuas orelhas sussurro
Palavras de sabedoria que te façam sorrir

E meu sorriso invejoso encontra o teu
Superando até o casal de Dom Casmurro
No beijo mais explosivo que alguém já me deu

A nossa própria supernova

domingo, 13 de março de 2011

Só os mais estranhos sobrevivem

Somos todos descendentes de uma bizarrice. Um conjunto de muitas bizarrices, na verdade, acumuladas ao longo de bilhões, dentro de um código presente em cada organismo vivo deste planeta: o código genético. Surgimos de uma série de alterações genéticas as quais permitiram que seres primitivos como as bactérias originassem seres tão complexos como os mamíferos.

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Tudo começou com algo muito improvável, tanto que os mais religiosos preferem explicar isso com coisas mais improváveis ainda. Mas com bilhões de planetas no Universo, não é razoável que ao menos em um deles esse evento aconteça? Este evento de tão baixa probabilidade é nada mais que a origem da vida.  Moléculas orgânicas combinaram-se originando os primeiros organismos capazes de se replicar. E este era o objetivo primordial desses seres: replicação. Aquele que fosse capaz de produzir mais cópias de si mesmo se tornaria predominante. Os beneficiados nisso eram os que viviam mais e conseguiam se reproduzir mais numerosamente e sem mutações. Mas estas mutações não eram inevitáveis. Acabam surgindo variações entre os seres. E as variantes mais bem sucedidas no jogo replicativo se tornam predominantes. Eis que surge a seleção natural, meus amigos.

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A partir da seleção natural, foi possível a evolução daquela vida primitiva ao estado o qual conhecemos hoje. A cada geração, as mutações genéticas originavam variações e aquelas que melhor se adaptavam às condições do meio eram repassadas às gerações seguintes. Num curto período de tempo, a mudança é quase imperceptível. Mas nosso planeta já conta com bilhões de anos de história – e a vida pelo menos metade desse tempo. As mudanças acumuladas em cada geração foram capazes de produzir espécies totalmente diferentes. Foi a sobrevivência dos mais bizarros.

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Princesa venenosa

Para os príncipes é uma deusa
Para os heróis, bela princesa.
Seus olhos com o brilho de Antares
Encantam, iluminam os sete mares.

Menina dos sentimentos instáveis
Gosta de ouvir coisas agradáveis.
Pode ser fácil fazê-la chorar
Mas ela sempre há de se alegrar.

Sábios os que sabem de seu veneno a doçura
Sabedoria ela sempre procura.
Menina doce, sensível, amável
Ora diabólica, ora angelical.

Garota de uma doçura que envenena
Lançando flechas em peitos ardentes.
Mesmo quando de espírito vai mal
Ela busca, como Atena,
Palavras amigas e inteligentes.


Este poema foi feito para uma amiga muito especial

O menino que esqueceu de crescer

Um garoto que não deixou de ser criança
A inocência resolvera ignorar a idade
Guardara dos sonhos de sua infância
O sábio dom da curiosidade

Conheceu um novo universo: a Razão
A sabedoria atingia sua mente
Adulto e infantil sob cada visão
Esquecera de ser adolescente

Mas o destino traz trevas aos puros corações
E atraiu o jovem para um mundo de ilusões
Onde teria de encarar do dilema das emoções

Conheceu as artes mas não o talento
Todo o amor ficou só no pensamento
Só lhe restou a trilha do conhecimento

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Estrelas

CC04O que são as estrelas? Desde os tempos antigos, o ser humano desenvolveu diversas formas de interpretar estes pontos brilhantes distribuídos no céu noturno. Foram agrupadas em constelações, relacionadas a mitologias, encaixadas em modelos cosmológicos, observadas por telescópios e fisicamente analisadas.
  
Em tempos mais modernos, a Astrofísica nos permitiu saber que as estrelas são esferas incandescentes gigantes, as quais, por estarem a grandes distâncias, parecem pontinhos brilhantes de luz. E nos mostrou que orbitamos em torno de uma, o Sol. Este serviu de modelo, aliás, no estudo de outras estrelas.

Mas aí vem a pergunta: como conhecer a natureza daquilo que está distante e não podemos tocar? Analisando a sua luz, as suas ondas eletromagnética. Ao estudarem o espectro da radiação captada de uma estrela e fazerem comparações com outros corpos celestes, os astrofísicos tornaram-se capazes de conhecerem temperatura, massa, tamanho, entre outras características. Descobriram relações entre as idades, as massas e os tipos de estrelas, daí partindo para desvendar seus ciclos de vida, do “nascimento” até a “morte”.

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As nebulosas, nuvens de gás gigantes, constituídas em maior parte por hidrogênio, são os grande berçários estelares. Por meio da ação gravitocional, as partículas do gás vão gradualmente se juntando, formando uma proto-estrela. Se a massa desta é maior do que um valor mínimo, começam a ocorrer reações nucleares de hidrogênio em seu núcleo, a fonte de sua energia, e esta se torna uma estrela.

sol07

Dependendo de sua massa, a nova estrela terá um destino diferenciado. Se for pouco massiva, “viverá” dezenas de bilhões de anos e continuará queimando hidrogênio até se apagar. É o que chamamos de anã-vermelha. Se tiver a massa maior que um certo limite, porém, viverá menos, mas de forma mais complexa. Primeiramente, terá uma coloração amarela ou azul, enquanto queima o hidrogênio de seu núcleo, assim como faz nosso Sol hoje. Quando o combustível nuclear acabar, porém, a estrela passará a utilizar o hélio, produto da fusão do hidrogênio, para gerar energia. Nesta transição, suas camadas externas se expandirão e sua superfície se tornará avermelhada. Dessa forma, ela entrará na fase de gigante vermelha.

Antares
Antares, uma gigante vermelha
  

NGC6543
As gigantes vermelhas menos massivas só “vivem” até esgotar o  hélio de seu núcleo, quando começam a liberar suas camadas externas, geralmente formando nebulosas. O núcleo remanescente da estrela, chamado de anã-branca, continua emitindo radiação por um certo tempo. As de maiores massas, porém, têm um destino bem mais explosivo. Elas continuam realizando a fusão nuclear de elementos cada vez mais pesados até chegar no ferro. Quando tentam realizar a fusão deste, acabam gastando energia e não ganhando, gerando um desequílibrio na estrela. Isto culminará em um violento colapso, conhecido como supernova. Nesta explosão, os elementos presentes na estrela sofrem reações especiais, resultando na enorme variedade de elementos químicos que formarão outros corpos celestes posteriormente, dentre eles os planetas. Daí podermos dizer: somos “poeira da estrelas”.

PulsarMesmo após explodir em uma supernova, ainda resta o núcleo da estrela, o qual se torna incrivelmente denso. Para este, há dois caminhos. Um deles, tornar-se uma estrela de nêutrons, ou pulsar, na qual a gravidade é fortíssima, ao ponto de, nos átomos de seu centro, os elétrons se unirem aos prótons, formando nêutrons. O outro caminho mais extremo ocorre quando a massa do núcleo remanescente é muito mais elevada. Neste caso, a gravidade é tão elevada que nem a luz capaz de escapar deste novo corpo celeste, o famoso buraco negro, no qual as leis da Relatividade chegam ao seu ponto extremo. Num futuro muitíssimo distante, eles dominarão um Universo cujo o brilho das estrelas estará totalmente apagado.
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